quinta-feira, 7 de setembro de 2017

De nós dois
Carne e unha
Ficou só esse vazio
Cheio de porra nenhuma


 (Mateus Borba)

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Saudade Sem Saída


Primeira parceria com meu Parceiro de coração Luisão Pereira. A original é de 2005, acho, e foi lançada num disco solo dele. Essa é a versão 2016.

SAUDADE SEM SAÍDA
(Luisão Pereira/Mateus Borba)

Já não falamos de tensão
Desarme os olhos
Se já não há nada a fazer
Desate as mãos

E o que vai sobrar de você?

Saudade sem medida
Insisto em trilhas de nunca mais
Um revés, um talvez, um clichê
Parte do adeus que vai ficar
Do que já não cabe entender

E o que vai ficar de mim?
Tempestade nuns olhos perdidos
E uma confusão de palavras
Tristes como em qualquer fim

Metade a se desmanchar
E outra teimando em partir

Saudade sem saída
Invento cenas pra nunca mais
E tanto faz um revés, um clichê
Ou até...
Parte do adeus que vai ficar
Do Amor que já não cabe mais

E quem de nós
Vai entender
Ou desbotar a cor
Calar o coração
E esquecer?


sábado, 6 de agosto de 2016

Na varanda
Eu escrevo e fumo
Aqui eu sinto o tempo
E ouço a respiração da Terra

Na varanda, eu bebo
Mais uma cerveja enquanto fumo
E fumo enquanto escrevo

Aqui
A madrugada é mais madrugada
E é nela que me sinto inteiro -
Eu sou da madrugada

Daqui ouço o galo
Que canta fora do horário
(Hoje ele nem cantou)

Na varanda, agora
Tenho que ter cuidado
Ando com pés mansos
Nas pontas dos cascos

É que, no xaxim de sempre
O mesmo velho passarinho
Voltou para fazer ninho
Como sempre fez

Cuido para não acordar
O passarinho que não fuma
Nem vê que a madrugada
É mais madrugada agora

Eu escrevo o que me cabe

O passarinho tem outras histórias


(Mateus Borba)
Essa coisa
Que me extrapola
Não é poesia
Seria
Se desse um samba
Do Cartola

Essa coisa
É coisa à toa
Mero bedelho
Não vale
Nem pra uma orelha
Do Paulo Coelho


(Mateus Borba)
Diante disso tudo
Entro calado
E saio mudo


(Mateus Borba)

segunda-feira, 11 de julho de 2016

A vida era calma, agora
Surpresa suspensa
Mão leve de guardar passarinho
Feito o nada de antes de um suspiro

E eu desconfiava
Porque, como noite anuncia dia
Calma muita predizia estrago

Eu cuidava pra ser feliz
Mas sustentava no peito
Um prenúncio pro assombro

Era feliz, mas com cuidado
Já que rir tinha sempre
Um pedaço de falta

Meu riso era assim:
Mais de querer que fosse
Que acreditar que seria


(Mateus Borba)

sábado, 13 de fevereiro de 2016

De Chegada



DE CHEGADA
(Rodolfo Moenda/Mateus Borba)
Tá na Boca do Rio, a maré
Tá de pé descalço no chão
A Pedra do Sal arde o couro
E o mar vem
Buscar na Ribeira, haja fé
Puxada no braço, haja mão
Pra tudo tem troco
Sol de ouro, e o mar vem
O Rio Vermelho sente a pancada do mar
Olha a rede aí, peixe bom vai chegar
Deus é pai
E há de ser bem mais
Pra quem tem a fé
E há de vir
Pra dar mais do que vem pedir
Iô Iô Iô Iô Iô
Daqui eu vou a pé
Desde tresontonte ela vem
Pra ver a gazumba aprontar
E aonde que ela bateu pra dizer?
Ficou em vereme a pensar
Achou meia pedra descer
E eu tô só os lôro esperando pra ver
O Rio Vermelho sente a pancada do mar
Olha a rede aí, peixe bom vai chegar
Deus é pai
E há de ser bem mais
Pra quem tem a fé
E há de vir
Pra dar mais do que vem pedir


Show de lançamento dia 23 de fevereiro, no Irish Pub (Rio Vermelho).
Em breve, o disco.